Local da história: Morrinhos do Sul/RS

Data da história: 13 e 14 de julho de 2013

Enviada por: Maurício Ariza

Juntamos um grupo de amigos, e consultando o Wikiloc, decidimos realizar uma trilha que passava pelas cumeeiras do Morro do Forno, em Morrinhos do Sul/RS. Por conta da insegurança de ir para um lugar desconhecido com mapa e bússola, compramos um GPS na véspera da viagem. Em uma noite, aprendi as funções básicas do aparelho, inseri alguns mapas e adicionei o tracklog. Saímos de Porto Alegre numa sexta à noite, éramos um grupo de 7 pessoas em 2 carros. A confusão começou enquanto tentávamos encontrar a saída para Morrinhos na BR-101. Após alguns retornos e voltas, nos indicaram uma estrada de chão. Assim que chegamos no centro de Morrinhos, passamos a seguir a rota que eu havia traçado no GPS até o início da trilha. A partir da cidade, as estradas não existiam mais no mapa (nem mesmo no Google Maps), então dependíamos da rota que eu havia adicionado no GPS anteriormente. Eu ia consultando o GPS e guiando o pessoal. Já era tarde da noite, nenhuma viva alma na rua, e eu estranhava algumas coisas no GPS, mas seguíamos viagem. Depois de algumas voltas, parecia que estávamos no caminho certo. Mas eu ainda estava meio inseguro. Paramos no meio do nada, e fizemos uma análise mais detalhada, em grupo. Acabamos percebendo que eu não havia enxergado a linha que mostrava uma entrada, que era vermelha em cima da estrada laranja, e havíamos seguido por quase 20 km a mais. Nem me lembrei do problema das cores no GPS, sendo que sou daltônico. Foi no mínimo engraçado, o pessoal ainda entendeu na boa. Tomamos o caminho certo e chegamos ao local. Acabamos acampando em uma praça, na frente de uma igreja. Eram por volta das 2h da manhã e a cidade parecia fantasma. Fizemos uma logística com os carros, para deixar um no final da trilha, o que impactou um tanto no tempo. O pessoal que ficou esperando no início da trilha ainda teve um encontro engraçado com o vice-prefeito municipal. Avançamos até o ponto inicial da trilha, na casa da Dona Erondina, uma senhora super simpática, onde deixamos um dos carros, nos abastecemos com água e nos preparamos.

Como iniciamos a trilha por volta das 10h30, decidimos avançar o máximo possível, pulando o almoço. Boa parte do caminho era em campo aberto, saíamos da rota algumas vezes. Estávamos o tempo todo subindo, alguns trechos eram muito íngremes. Apesar da previsão de chuva, o dia estava levemente nublado, agradável. O trecho crítico foi uma travessia de mato, onde acabamos pegando o caminho errado e perdemos praticamente uma hora em mata fechada, foi um alívio quando conseguimos sair dali. E continuávamos subindo.

Com muito esforço, finalmente chegamos na cumeeira do morro, uma paisagem de deixar qualquer um boquiaberto. Mas havia muito por subir ainda, o ponto mais alto estava a 900 metros de altitude. A trilha era pequena, e haviam despenhadeiros dos dois lados. Bastões de trekking ou mesmo de madeira eram um alívio. Quando as curvas de nível do mapa do GPS indicavam 720 metros de altura, encontramos uma rocha que trancava o caminho. Conseguíamos escalar algumas pedras pela lateral, sem mochila. Bastante arriscado. Deixamos as mochilas e subimos a rocha. Dois colegas seguiram adiante para verificar o final da subida. Eram por volta de 16h30, em cerca de uma hora iria anoitecer e precisávamos achar uma área para acampar. O GPS indicava 4 km até uma área de planície com um rio. Havia ainda muito trecho de subida, e as marcações do Wikiloc indicavam uma área onde a trilha ficava indefinida. Considerando o risco de caminhar por aquela área, e o tempo que poderíamos levar até a área plana, em nome da segurança do grupo resolvemos não seguir durante a noite. Tiramos algumas lindas fotos da paisagem, e começamos a descida.

Encontramos uma área para acampar, e nos instalamos. Fomos presenteados com um belo pôr-do-sol. Não tinhamos muita água, mas era o suficiente. Peguei meu fogareiro para preparar um miojo. Como ventava bastante, desci um pequeno barranco no mato, para ficar protegido do vento. Estava bem próximo das barracas ainda. Sentei numa parte mais alta, e posicionei o fogareiro no chão, entre minhas pernas. No exato momento que liberei o gás e acionei o acendedor, um forte pé de vento entrou pelo mato e levantou uma chama que devia ter quase um metro. Foi um dos maiores sustos de minha vida, estava com uma bermuda de algodão, e os cabelos compridos soltos, jurava que eu estava pegando fogo. Saí me arrastando de costas, apavorado, temendo que o cartucho de gás explodisse. O pessoal ficou todo assustado, com uma panela um colega parou a chama, e desligamos o gás. O susto passou. Peguei outro fogareiro emprestado pra terminar o miojo. Alguns colegas acenderam uma pequena fogueira, e ficamos na volta conversando. Fomos deitar cedo, para terminamos a descida pela manhã. Estávamos bem cansados.

Buscamos o outro carro e fomos visitar uma cachoeira próxima, num distrito da cidade de Três Cachoeiras, vizinha de Morrinhos. Lugar muito lindo. Tempo nublando, e na hora exata que estávamos indo em direção aos carros para irmos embora, desabou uma chuva bastante forte. Uma chuva forte acompanhou toda a viagem de volta.

Mesmo não tendo conseguido concluir a trilha, fomos presenteados com uma vista maravilhosa, e muitas histórias pra contar, desde mata fechada, um daltônico operando GPS, até fogareiros em chamas. O Morro do Forno com certeza vale a visita, e de preferência, com um GPS operado por alguém que enxergue as cores!


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