Esse é um texto é um relato pessoal, longo, sincero, reflexivo – ideal para leitura de pessoas sem preguiça mental.

Há dois anos atrás, em meio a Adventure Sports Fair, surgiam as primeiras conversas sobre a criação de uma rede de blogs para que pudéssemos encontrar mais pessoas que compartilhavam os mesmos anseios, dúvidas, inspirações e preocupações; pessoas com quem pudéssemos trocar, aprender e ensinar sobre blogar e sobre a vida. De uma certa forma, estávamos também em busca da nossa tribo, de pessoas semelhantes a nós, com os mesmos valores.

Desde a criação da Rede de Blogs Outdoor, em setembro de 2014, vínhamos estreitando laços entre os integrantes da Rede. Eventualmente alguns blogs se encontravam para alguma atividade, mas não era algo muito programado.

No entanto alguns meses atrás, alguns Blogs da RBO receberam um convite inspirador do Guilherme Cavallari para conhecer o Refúgio Kalapalo. Na mesma hora que recebemos o convite me lembrei de um texto belíssimo escrito pelo próprio Guilherme no qual ele falava sobre a sua nova vida na roça e trazia alguns questionamentos que faziam muito sentido para mim! Aconselho fortemente a leitura desse texto. Então, a verdade é que estávamos sendo convidados a conhecer um pouco daquela grama e daquele mundinho particular (mas compartilhado) que ele havia conquistado. Estávamos ansiosos por conhecer esse local, mas também por encontrar pessoalmente os amigos da rede.

Participaram desse encontro alguns blogueiros integrantes da RBO como André Schetino (Até Onde Deu pra Ir de Bicicleta), Mario Nery (Trekking Brasil), Gisely Bohrer (A Montanhista), Rafael Kosoniscs (Seu Mochilão), Fábio Almeida (Pedal Nativo) e Keisuke Kira (Blog Outdoor), Tiago Borges (Fé no pé) e eu, Luiza Campello (FuiAcampar) o Guilherme também teve a felicidade de convidar os ciclistas Rodrigo Telles e a Eliana Garcia (Clube de Cicloturismo do Brasil), Marcos Adami (Bike Magazine) e o Alexandre Palmieri (Kampa Equipamentos).

Foto: Guilherme Cavallari
Foto: Guilherme Cavallari

O Encontro da Tribo

Dia 19 de junho, de noite, quando chegamos no refúgio, localizado em Gonçalves (MG), a excitação era grande, muitos de nós estávamos nos revendo após mais de um ano e alguns ainda não se conheciam pessoalmente. A integração entre todos foi quase que instantânea! Era conversas rolando para todos os lados, histórias, piadas, experiências, opiniões, todo mundo tinha muito para dizer e para ouvir. E todos falávamos a mesma língua, parecia que essa era nossa tribo! A animação geral só foi silenciada pelo delicioso jantar, uma sopa com focaccia, reparada pela Adriana, esposa do Guilherme. Depois do jantar a conversa seguiu até perto da meia noite, quando achamos melhor nos retirar e descansar afinal, tínhamos uma programação a seguir no dia seguinte.

Ao amanhecer e abrir a janela o friozinho gostoso invadiu o quarto nos lembrando que estávamos na Serra da Mantiqueira e era inverno! Enquanto o sol não saia por detrás da montanha, cada um empunhava sua máquina em busca dos mais belos cliques da paisagem. Eu, que não tenho esse cacife todo com fotografia, me grudei no vidro embaçado e fiquei dentro da sala apenas olhando a bela paisagem do sol surgindo por trás do morro.

Após um café da manhã delicioso (com quase tudo produzido dentro da propriedade), nossa primeira atividade foi talvez a mais importante e que mais gerou  entre o grupo um sentimento de que sim, sem dúvida, eramos da mesma tribo. O Guilherme pediu que cada um de nós nos apresentássemos falando um pouco da nossa história, do blog e qual nossas inspirações, preocupações e direcionamentos.

Foi nesse momento, em que ouvíamos o que os demais falavam, que percebemos que, mesmo distantes e com cada um vivendo sua própria história, tínhamos todos muito em comum. Tinha em nós um desajuste social que nos unia, que nos fazia questionar o mesmos valores. Pode parecer clichê, mas percebemos que cada um de nós era tão único na sua história e ao mesmo tempo tão semelhante nos desejos e anseios de vida. Nossas inspirações, preocupações e direcionamentos permeavam os mesmos caminhos e se completavam. Como eu já supunha nesse momento tive certeza de que éramos sim uma tribo socialmente distante, mas virtualmente e moralmente unida. Essa troca de experiências de vida, foi para mim o ponto alto do encontro. Ocasião em que cada um falou de si e ouviu todos os demais, com respeito, interesse e atenção. Todos paramos e inevitavelmente refletimos sobre tudo que vivemos e que nos conduziu até esse momento. Tive a certeza de que eu estava no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas.
Foi lindo ouvir todos e me sentir parte, me sentir semelhante.

Após esse momento de troca e reflexão a meta era mexer os músculos e subir o alto da Pedra Bonita, morro que fica atrás da propriedade. Subida íngreme, com uma bela natureza ao redor e alguns mirantes pelo caminho.  Lá no alto fizemos um Picnic cheio de comidas gostosas, sem pressa, sem preocupação e sempre com as orientações do Guilherme explicando sobre cada aspecto da paisagem. Descemos na metade da tarde e ficamos “de folga” conversando mais e mais! Ô gente que gosta de conversar! Ao longo de todo o dia os papos não encerravam nunca. Grupinhos se formavam a qualquer momento e todos trocavam informações sobre viagens, equipos, aventuras, blogs, ética, desafios, aventuras, novidades, planos, internet e muitas aventuras! Quando o sol se pôs começamos a nos recolher, tomar banho e se “arrumar” para a seção de filme que aconteceria após o jantar, que foi uma das lasanhas mais deliciosas da minha vida! Tive que repetir o prato… Adivinha feita por quem? Adriana, é claro!

Seção cinema! Luzes apagadas e olhos grudados na telona para acompanhar os perrengues do Guilherme ao longo de 6 meses de viagem, de bike, sozinho, pela Patagônia, em busca de pumas… Mas tudo em apenas 45 minutos! Era pouco para tanta aventura e ficamos todos com um gostinho de quero mais. Após o bate-papo sobre o filme, com todo mundo já meio cansado (acho que de tanto falar e ouvir também), a casa ficou simplesmente silenciosa.

No domingo a atividade era, para os Bikers, pedalar e para os Trekkers, caminhar! Como eu definitivamente faço parte dos caminhantes, me juntei aos demais blogueiros desse grupo e fomos conduzidos pela Adriana até o início de uma trilha que levaria ao alto do Morro das Antenas (Alto Campestre). Subimos todo caminho conversando e lá no alto do morro fomos agraciados por uma belíssima vista de toda a região, quase sem nuvens no céu. Os bate-papos sobre aventura combinavam com a paisagem vista lá de cima! No horário marcado descemos e encontramos o resto do pessoal para a última refeição juntos, uma feijoada vegetariana que, confesso, tive que repetir o prato!

Pós almoço antes de começarmos nos arrumar o Guilherme presenteou cada um de nós com um exemplar do Livro Transpatagônia, Pumas Não Comem Ciclistas. Fiquei feliz com o mimo, com dedicatória e já me senti pronta para sair do refúgio e embarcar nessa viagem pelas páginas do livro.

Desde que chegamos ao refúgio, na sexta-feira à noite, o sentimento foi: “estamos em casa e rodeados de amigos!” O Guilherme, com sua profunda sensibilidade e  experiência de vida conduziu o encontro de forma que o mesmo sentimento da chegada perdurou até o triste momento que tivemos de partir e ficar apenas com saudade e muitas lembranças gostosas!

Foi um final de semana incrível, veja as fotos de cada momento!

Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (14) Refúgio Kalapalo - Mario Nery 05 Refúgio Kalapalo - Mario Nery 04 Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (16) Refúgio Kalapalo - Rafael Kosoniscs Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (1) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (2) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (3) Refúgio Kalapalo - Mario Nery 06 Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (4) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (5) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (7) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (8) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (9) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (10) Refúgio Kalapalo - Tiago Borges Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (12) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (13) Refúgio Kalapalo - Mario Nery 02 Refúgio Kalapalo - Mario Nery 03 Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (15) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (19) Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (20)
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Sábado - Momento de conhecimento e reconhecimento. Foto: Rafael Kosoniscs

Para quem quiser conhecer o Refúgio, EU RECOMENDO! Não só pela distância da cidade, pela possibilidade de fazer trilhas, estar em contato com a natureza, pelo prazer de comprar livros cheios de conhecimento, direto da fonte, mas também para desfrutar de uma alimentação cuja boa parte é produzida dentro da propriedade e preparada pela Adriana, com muito carinho.

Algo mais que um Refúgio

Livros

O Guilherme possui uma Editora de Livros, que é a Kalapalo. Claro, que se você é um aventureiro com um pouco de conhecimento já deve estar careca de saber isso, mas é sempre bom comentar. A Editora costumava editar apenas Guias de Trilhas e Manuais. Uma das referências no segmento de aventuras é o Manual de Trekking & Aventura, que é um guia muito completo, que inclusive recomendamos para qualquer pessoa que esteja começando a se aventurar. Mesmo que você consiga encontrar muita informação hoje em dia na internet, de forma dispersada, no livro você encontra uma compilação de todo o básico que precisa saber, de forma organizada e confiável, feito por quem entende do assunto.

Pumas

Mas além dos guias, recentemente o Guilherme começou a se arriscar no formato de narrativa de aventura e escreveu, editou e publicou o livro Transpatagônia, Pumas Não Comem Ciclistas. O livro relata as experiências de aventuras do próprio Guilherme durante de seis meses pela Patagônia, viajando de forma solitária e de bicicleta. Prato recheado para quem curte uma boa aventura…. Esse é recém o seu primeiro livro que não é um guia ou manual e ao que tudo indica será apenas o primeiro.

Como comentei no relato acima nós fomos presenteados com um exemplar que está sendo devidamente devorado página a página ao longo dos dias. Assim que estiver lido você encontrará a resenha publicada aqui no FuiAcampar.

Filme

Essa mesma viagem pela Patagônia, que deu origem ao livro, também acabou se transformando em um filme chamado Transpatagônia. O filme deve passar em breve na TV (avisaremos na ocasião) até lá, você pode ter um gostinho da aventura vendo o trailer aqui em abaixo.

Cursos

Desde que criamos o FuiAcampar, muitas vezes as pessoas vem nos perguntar sobre cursos para quem quer começar a acampar, fazer trekking e realizar as primeiras aventuras em meio à natureza. Muitas vezes ficamos indecisos sobre o que dizer, afinal para indicar um curso é preciso ter conhecimento da qualidade da informação que será passada.

Durante os bate-papos tivemos muitas oportunidades de conversar sobre as experiências de cada um. E hoje em dia me sinto totalmente tranquila e segura para indicar os cursos do Guilherme. Realmente são muitos anos de experiências práticas, que dão a ele todo conhecimento necessário para ensinar e passar a informação (sem apenas repetir um monte de abobrinhas retiradas da internet). E o mais legal é ver a empolgação e a felicidade dele em realmente transmitir experiências e conhecimento. Isso faz toda diferença…

Se você está em busca de um curso de Trekking, Mountain bike e Cicloturismo, GPS para Aventuras ou Primeiros Socorros em Áreas Naturais, vale a pena dar uma olhada nos Cursos da Kalapalo.

Acampamento

O Refúgio não possui local para acampamento 🙁 .  Para hospedagem é possível usar os quartos compartilhados. São dois quartos, com dois beliches cada ou eventualmente dá para usar um chalé que fica fora da casa, que acomoda até 4 pessoas. O aluguel de barracas (descrito no site) é apenas para as pessoas que realizam os cursos que tem pernoite externo.

O Refúgio

O refúgio é a própria casa onde moram o Guilherme e a Adriana. As peças são simples, com decoração pessoal e aconchegante. Tem uma sala com TV, lareira e muitos livros. São apenas 2 quartos para receber hóspedes e tudo é compartilhado. Para evitar constrangimentos leia atentamente as regras para entrar em harmonia com o local. Em datas em que estão ocorrendo cursos ou eventos a dinâmica do refúgio fica um pouco diferente, por isso sempre faça contato antes de ir. Veja abaixo algumas fotos do Refúgio…

Sala de estar/jantar
Sala de estar/jantar
Sala de estar/jantar
Sala de estar/jantar
Sala de estar/jantar
Sala de estar/jantar

Antes de finalizar, algumas dicas muito válidas para quem quer curtir o refúgio.

Dica #1 – Jamais vá para o Refúgio sem contratar as refeições, ao fazer isso você estará perdendo uma das melhores partes da experiência!
Dica #2 – Se você não tem carro, não desanime, é possível contratar o resgate no Portal de São Bento.
Dica #3 – Leve uma máquina fotográfica, lá a beleza está em todo lugar, nos mínimos detalhes.
Dica #4 – No inverno, acorde cedinho para ver o sol nascer e invadir a sala de estar.
Dica #5 – Vá de corpo a alma aberto para ver as paisagens, ouvir as histórias, sentir os cheiros, brincar com as cadelas e trocar informações.
Dica #6 – Confira se suas meias não tem furos no dedão antes de ir.  😉

Bom, antes de encerrar queria deixar claro que nessa ocasião não pagamos para passar o final de semana no refúgio, foi um convite do Guilherme para que pudéssemos conhecer o local, nos conhecer e trocar conhecimentos. Mas vale comentar que os valores do Refúgio são acessíveis e até mesmo simbólicos quando comparados aos momentos de prazer e harmonia que o local proporciona.

O texto desse post foi totalmente inspirado pela harmonia do refúgio e pelos laços de amizade lá criados e fortalecidos. Fica um agradecimento sincero e especial ao Guilherme, Adriana e a todos demais blogueiros e amigos pela excelente oportunidade de estarmos juntos…

Momentos como esse nos inspiram a seguir nosso caminho, blogando, trocando, ensinando, aprendendo… Obrigada.

Refúgio Kalapalo - Luiza Campello (18)


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