Local da história: Venezuela

Data da história: -/-

Enviada por: Robinson Portioli

Se tem uma coisa que eu gosto é achar lugares quase perdidos, tomando estradinhas pequenas muitas vezes de terra, seguindo a intuição até achar o que procuro. Foi assim que achei em Zea, um caminho que levou até o topo da montanha. Lá havia uma casinha de sapê, um gramado verdinho e uma lagoa, ou seja, um convite ao camping. Zea é uma pequena vila ao norte da cidade de Bailadores na Venezuela. Não tem nada de turístico lá e a maior parte dos viajantes que conheci limitava-se a conhecer Mérida, muito famosa, um pouco mais ao norte.

Porém, eu estava viajando de moto e isso me dava mais autonomia pelos caminhos que passava e tudo que eu queria era encontrar lugares remotos, distantes, de preferência lindos e desabitados. Talvez achar lugares assim seja o sonho de muitos campistas, mas hoje em dia, quem procura sabe que não é fácil deparar-se com raridades nesse estilo.

Na pequena vila, perguntei onde levava uma estradinha de terra que vi de longe, cheia de curvas montanha a cima, e me informaram que não levava a lugar nenhum. “Tem poucas casas lá em cima, umas lagoas e nada mais.” Disse o dono do mercadinho que onde parei para comprar comida para o jantar.

Então é para lá que vou, pensei. Devagarzinho fui subindo e fazendo curvas, ficando cada vez mais alto até ter que olhar para baixo para ver as nuvens.

Chegou uma hora que a vila ficou pequenina lá no vale. Quando finalmente a subida acabou, me deparei com uma lagoinha de água escura e gelada. Fiquei super empolgado e decidi ir um pouco mais para achar uma boa área para barraca. Depois de mais algumas curvas achei uma casinha de sapê, nas margens de uma lagoa, com um gramado lindo e o melhor, havia uma barraca lá!

 

 

Nessas horas a gente pensa “Nossa, o pessoal que vem até aqui acampar deve estar fugindo e turistas e querendo privacidade.” Mas a cara de pau e um sorrisão em certas ocasiões é a melhor saída. Decidi ir conversar com eles e sentir o clima, se eu achasse que fosse atrapalhar simplesmente não ficava.

O resultado foi que eles eram venezuelanos muito gente boa, estavam fazendo um trekking na região e conversamos muito até anoitecer. Como campista precavido, carregava minha vara de pesca na moto e adivinhem se não conseguimos ainda pescar o jantar?! Foi divertidíssimo.

O único inconveniente foi o frio ártico que fez durante a noite junto com uma ventania que quase levou as duas barracas voando montanha abaixo! Dormi com várias roupas além da jaqueta de couro que usava para pilotar e ainda assim o saco de dormir não esquentava nunca! Lembrei do dia que comprei o saco de dormir, pensando, “ah, não faz tanta diferença assim”, e escolhi o modelo para temperaturas mais altas. Um dos venezuelanos não aguentou e foi dormir no terraço da casa, em baixo de um banco de madeira. Cena cômica se não fosse trágica! A barraca deles era dessas de R$1,99 e nem fechava mais o zíper.

Perrengues a parte, foi um acampamento sensacional, no alto da cordilheira dos Andes, em terras venezuelanas.


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