Enviada por: Everson

Local da história: Pousada Maeda/Pico do Marinzinho

Data da história: 04 de Outubro de 2015

Ah ! Finalmente as férias e o melhor, longe do stress do dia a dia. Depois de meses planejando e ansioso pelo primeiro acampamento na vida, a aventura tomou forma. E lá vamos nós. Eu e meu irmão de carro pelas sinuosas estradas das montanhas de Minas Gerais. Destino? Cidade de Marmelópolis nos sul do Estado, localizada a uns 100 km de minha origem.

Apesar da grande expectativa em acampar, pesquisei um camping com boa estrutura, ao menos assim era nas fotos e informações da internet, afinal o objetivo era passar momentos de felicidade e não de aborrecimentos. Tarde de domingo de sol, em 04 de outubro de 2015 e lá chegamos na Pousada e Camping Maeda. Logo de início já percebi que não havia errado na escolha. Ótimo lugar para marinheiro de primeira viagem. Antes de escurecer tivemos tempo suficiente para montarmos a barraca e se organizar no local. Não posso deixar de frisar a excelente recepção do senhor Maeda e sua esposa. A simpatia chegou ali e não foi mais embora. A esquerda do acampamento lá estava ele. O Pico do Marinzinho. A missão era chegar ao topo daquela montanha e curtir a paisagem. Naquela noite, após o jantar na Pousada, ouvimos atentamente as orientações do senhor Maeda, grande explorador da região, tendo ainda em seu histórico de vida muitas outras aventuras.

Na primeira noite no acampamento, esqueci de levar um colchãozinho ou edredon para forrar o chão e deixar o ambiente mais confortável possível. Rola pra cá, rola pra lá e dorme um pouco. Acorda e sai da barraca para observar a noite de lua. E agora o que fazer se não conseguir mais dormir? Meu irmão dorme como uma pedra. Nem se mexe. Adaptando-se ao novo jeito de dormir lá vou eu tentar dormir mais um pouco. Achei que já estava amanhecendo o dia e nem meia noite era ainda. Pensei: estou enrolado! Não vou aguentar a trilha de amanhã. Enfim, acabei dormindo no chão duro mesmo.

Amanheceu. Levantei-me com uns estalos do esqueleto e após o café de manhã reforçado, seguimos pela estrada e mais a frente às trilhas, mas sempre subindo e subindo. O dia era ensolarado e com clima ameno. A natureza cooperou muito conosco. A subida foi constante. E muito. Não espere por trechos com retas. Somente subindo e subindo e no final com muitas pedras. Apesar de estar fisicamente despreparado consegui cumprir grande parte da missão. Vontade é tudo. Com o tempero ideal das belas paisagens a escalaminhada ficou mais suportável. Não existem palavras suficientes para descrever a sensação de observar aquelas montanhas e seu horizonte. Muitas paradas para descansar, comer, beber água e tirar fotos foram necessárias. Em alguns trechos da trilha, onde há dificuldade em transpor as pedras, existem cordas que foram colocadas para ajudar os aventureiros. Contei de quatro a cinco cordas. Na última travei. Com o ar rarefeito e um esforço demasiado para quem estava fisicamente despreparado, comecei a sentir um leve mal estar com fisgadas no peito. Para quem já teve arritmia cardíaca achei melhor parar por ali. Um “medinho ” também ajudou a não prosseguir pela última corda que corria paralela a um desfiladeiro, com o brinde do senhor vento para ajudar. Mas, valeu até onde foi possível. Uma sensação indescritível de satisfação pessoal. Meu irmão, mais afoito e audacioso conseguiu transpor o ultimo obstáculo e chegar ao cume. Tirou fotos lindas, porém somente com a vista para o Estado de Minas Gerais, haja vista que do lado de São Paulo, o tempo estava coberto por densas nuvens.

Meu irmão no topo!
Meu irmão no topo!

Enquanto aguardava o retorno dele, uma meditação da minha vida até aquele momento foi de suma importância para revigorar a alma. Desci limpo e renovado. Quando vi aquela imensidão a minha frente, tive a certeza o quão insignificantes somos perante tudo. Realmente este mundo não acaba.

Horizonte de Minas Gerais
Horizonte de Minas Gerais

A descida foi tão difícil quanto a subida. As pernas e principalmente os joelhos doíam muito. Você tem que descer freando e forçando a perna para não cair. A água também estava acabando. Finalmente após muito andar, já lá pelas quatro horas da tarde, conseguimos chegar a uma mina de água e pudemos nos saciar. Sagrada é a água.
Quando chegamos a Pousada e olhei novamente para o Pico do Marinzinho, senti o que há muito tempo não sentia. Orgulho por mim mesmo. Aquela sensação prazerosa de cumprir uma difícil missão. A emoção de ter vencido, fez escorrer um “suor” no canto de meus olhos. Foram muitos momentos com meu irmão conversando sobre tudo. Vida, família, passado, presente e futuro. Foi bom. Muito bom! Que férias!

Vitória pessoal!
Vitória pessoal!

Ah! Quase esqueci de dizer. Quando chegamos a Pousada, o senhor Maeda nos recebeu com sua peculiar simpatia e pedi a ele, por favor, em me arrumar um colchão para dormir na barraca. Foi só risada!
E assim foi meu primeiro acampamento…


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