Local da história: Nova Petrópolis, Gramado, Três Coroas e São Francisco de Paula

Data da história: Reveillon 2005/2006

Enviada por: Arci Fetter Junior (Pihui)

Sabe aquele roteiro de férias que tu planeja todos os detalhes, organiza tudo com os amigos e acontece tudo de forma muito diferente, mas cheio de histórias pra contar? Pois é, foi assim mesmo.

Com algumas dúvidas em mente e com muita vontade de se aventurar nas férias eu (Pihui), Maicon Brito e Gurz Peruchi resolvemos unir algumas ideias e rodar oito dias acampando por parte da Serra Gaúcha, a bordo de um Gol 82 o qual era chamado de Lorenz.

Saindo de N. Hamburgo na tarde de 25/12/2005 eu e Gurz seguimos para o Panelão de São Roque, na localidade de Linha Araripe, divisa de N. Petrópolis e Gramado. Como Maicon viria de Canela, encontraríamos ele lá, o que de fato ocorreu ainda na estrada. O Panelão e suas cascatas próximas por si só já é uma bela pedida, mas com a motivação de ser a 1ª parada de nossa Tour tinha um algo a mais. Montamos nosso acampamento por 2 dias na margem do rio onde os dias foram de trilhas e banhos em cachoeiras e as noites de vinho, violão e fogueira. Até ai tudo ok.

Na tarde de 27/12/2005, prontos para a 2ª etapa e com nossas coisas a bordo do Lorenz, subimos os 4km de estrada de chão até a RS afim de irmos até a Barragem das Laranjeiras em Três Coroas. Eis que a 50m do asfalto… o carro para. Sim ficamos empenhados. Ali existe o Comercial Grings que é aquele típico armazém do interior que tem tudo, menos mecânico. Empurramos o Lorenz até lá, e depois de uma série de opiniões sobre as causas do problema, consegui contato com meu tradicional mecânico, com um porém: socorro somente na manhã seguinte. Confesso que até pensei em desistir assim que o carro estivesse ok. Mas foi puxarmos o violão para a prosa se estender com o pessoal local. A divertida situação de tocar 3 ou 4 acordes e ver aquele pessoal cantando sertanejos que eu realmente desconhecia foi única. Em meio a isso, descobrimos um filhote de vira-latas abandonado dentro de uma caixa de madeira. Cinza e com cara de esfomeado, acabou se deliciando com Miojo com linguiça. Ganhou uma coleira (comprada ali no Comercial Grings) e o nome de Chiquinho (devido a quantidade de 2 filhos de Franscisco que tocamos naquela noite).

28/12/2005, por volta do meio dia, com o Lorenz consertado seguimos a Barragem das Laranjeiras em Três Coroas. A previsão de 2 noites lá já havia mudado mas não a motivação. Local novo pra mim, já esperava algo sem estrutura pronta. Havia mais uma barraca com 3 caras que 1 seria o sósia perfeito do Seu Madruga. Depois de montado acampamento, Chiquinho devidamente instalado e lenha recolhida para noite, o Maicon e Gurz resolveram pescar nossa janta. Esta salva pelo nível do rio Paranhana que baixa no cair da noite devido a redução de vazão das comportas de 2 hidroelétricas existentes nele rio acima. Muitos peixes ficam presos entre as pedras, ai foi só escolher. Janta garantida.

No amanhecer do dia 29/12/2005, tudo sendo arrumado para seguirmos a nossa ultima parada em São Francisco de Paula, estávamos alegres e nos sentindo os aventureiros. Até vermos o pessoal da outra barraca enchendo um pequeno bote inflável e uma câmara de pneu de caminhão, acomodar suas bagagens e se despedir descendo o rio até o centro da cidade. Achei já ter visto tudo.

Em São Chico, acampamos no Parque das 8 Cachoeiras, onde encontraríamos mais 5 amigos que estavam indo passar a virada de ano por lá. O local permitia camping com uma boa estrutura. Sem contar as ótimas trilhas e cachoeiras existentes. No dia 31/12/2005 acordamos todos cedo e fomos pra trilha do Quatrilho e das Gêmeas Gigantes, na minha opinião as melhores do local. Fizemos um lanche no Quatrilho após belos banhos e sua piscina natural e seguimos até as Gêmeas. Com a trilha fechada por árvores e seguindo o leito do rio, não percebemos a chuva que se aproximava. Esta chegou junto com nós na cachoeira, não dando nem tempo pra fotos, já que o rio começou a encher rapidamente. Como alguns de nossos amigos nunca haviam entrado numa trilha dessas, a chuva foi um batismo um tanto quanto preocupante até sairmos do leito do rio. Depois de quase 3 horas de trilha na chuva chegamos ao acampamento todos ensopados. Grand finale para 2005? Quase.

A noite a chuva parou, o céu estrelado apareceu e a tradicional fogueira foi feita pra iniciarmos a janta. Com meu celular desmontado secando dentro do Lorenz, resolvi após a janta tentar usá-lo ligando para minha mãe para desejar-lhe um Feliz Ano Novo. Feito isso permaneci dentro do carro acompanhado uma música que tocava na rádio… e dormi. Sim. Acordei por volta das 2 da manhã. Sem virada, espumante ou coisas do gênero. Como o gurz e o Maicon imaginavam que eu havia saído pra dar uma volta sozinho ou que estava confraternizando com o pessoal em outro acampamento não me procuraram. Assim posso dizer que terminei 2005 dormindo.

No outro dia, após um belo chimas acompanhando a 1ª alvorada de 2006 organizamos nossas coisas de volta a Novo Hamburgo. Enfim, esta aventura havia acabado, mas não as histórias e conversas que estes fatos renderam depois.

P.S.: O Chiquinho ficou por quase 2 anos em minha casa até fugir.


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