Todo produto chinês é ordinário!

Foi por causa dessa frase que nasceu esse artigo!

Muitas pessoas concordam com ela por terem alguma experiência negativa, mas outras concordam simplesmente por reproduzirem um preconceito estabelecido nos últimos anos, sem qualquer argumento (sabe “maria-vai-com-as-outras”?). Também existem muitas pessoas que discordam da frase apenas para serem “do contra”, e outras que discordam por terem conhecimento para defender sua posição. Nós, do FuiAcampar, somos desse último grupo.

Nós discordamos dessa frase, porque ela simplesmente generaliza a qualidade de tudo que é produzido em um país! Essa generalização normalmente é realizada por quem não costuma usar os produtos antes de fazer uma avaliação, nem olhar a origem dos equipamentos que compra e fazer uma análise mais profunda deles.

E qualquer generalização merece uma análise mais cuidadosa… Não gostamos de generalizações, de estereótipos. Gostamos de olhar, analisar, testar, usar, usar de novo e depois emitir nossa opinião. Assim identificamos os pontos positivos e negativos de cada produto.


Vamos começar essa reflexão com uma verdade inegável:

A grande maioria dos produtos, mesmo de marcas nacionais, são produzidos na China.

Não sabia disso? Pois é! A empresa pode ser brasileira, mas a origem dos produtos é a China. Isso acontece com marcas como Nautika, Trilhas e Rumos, Guepardo, Azteq, Hummer, entre outras. Como sabemos disso? Simples: olhando as etiquetas!

Mas não são só as marcas brasileiras que produzem na China! A empresa francesa Quechua, a australiana Sea to Summit, a inglesa Hi-Tec, a norte-americana Coleman, a francesa Salomon: todas, reconhecidas por sua qualidade, também produzem na China!

Se você concordava com aquela frase inicial de que “todo produto chinês é ordinário!”, esse é o momento de quebrar esse conceito ao meio e se livrar desse estereótipo!

A conclusão é muito simples: você pode encontrar produtos chineses de todo tipo de qualidade! Desde as marcas mais top de linha até as mais simples. A questão não está no país de origem e sim no processo de produção, na matéria prima e nas tecnologias usadas; é isso que influencia a qualidade final do equipamento, e não a sua nacionalidade.

Muitas empresas apenas compram equipamentos genéricos, colocam sua marca e importam para o Brasil. Por isso, às vezes, encontramos equipamentos “praticamente iguais” em marcas diferentes. E isso não é necessariamente ruim – é a forma como o mercado funciona atualmente, por questões de custos, tributos, logística etc.

A questão mais séria é sabermos em quais condições de trabalho esses produtos chegaram ao mercado, mas isso é mais complicado, são outros quinhentos. E as empresas não costumam falar sobre esses assuntos.


E existem empresas brasileiras produzindo no Brasil?

Tem sim! Algumas marcas representam muito bem o segmento outdoor no Brasil, com fábricas aqui mesmo, em território tupiniquim!

Uma delas é a Curtlo, que possui uma fábrica em São Paulo (SP). Outro bom exemplo é a Hard Adventure, com uma fábrica em Hortolândia (SP). Tem ainda a Conquista, que possui fábrica em Campo Largo (PR), a Solo, com fábrica em Formiga (MG), e a Kampa, com fábrica em Piracicaba (SP).

Algumas delas orgulhosamente trazem etiquetas com a bandeira do Brasil nos produtos. Essas são empresas que vendem aqui e até levam a etiqueta “Made in Brazil” para além das fronteiras do país.

Achamos muito legal valorizar aquilo que é produzido aqui, em território nacional, com nossa mão de obra, gerando empregos e renda, valorizando o que é nosso e impulsionando nossa economia.

Mas sabemos que a realidade dos empreendedores no Brasil não é fácil. Impostos devoradores acabam tornando algumas ideias inviáveis economicamente, o que é uma pena!


Se você é cabeça-dura, talvez ainda esteja pensando que os produtos chineses são ruins! Sim, como falamos, existem produtos chineses de todos os níveis de qualidade, e existem também os de má qualidade. E agora você se pergunta: por quê? Por que não são todos de qualidade top de linha?

Alguns produtos são feitos com mais cuidado, com melhor tecnologia, tendo foco em um determinado público. Outros equipamentos são feitos com menos capricho e matéria prima mais barata buscando outro perfil de público. Há todo tipo de qualidade para atender todo tipo de consumidor.

Se você comprou um equipamento e achou a qualidade dele ruim, isso significa que o seu perfil de consumo é de um produto com outra qualidade. Mas outra pessoa pode comprar o mesmo produto e ficar satisfeita, pois ele atende às necessidades dela. E pode acontecer de esse mesmo produto que você achou bom ser considerado ruim para uma pessoa ainda mais exigente!

Costumamos aplicar essa filosofia nas análises que fazemos dos equipamentos de camping. Há produtos para atender todo tipo de demanda. Essa variedade na qualidade é necessária se considerarmos o caminho de consumo que as pessoas percorrem de acordo com a experiência que vão adquirindo.


O ciclo natural de consumo de equipamentos

Para entender por que existem equipamentos de baixa qualidade no mercado outdoor, convidamos você para acompanhar nosso raciocínio.

Uma pessoa decide que vai acampar pela primeira vez e quer comprar uma barraca, mas ela não tem conhecimento sobre os equipamentos… Ela nunca acampou, nem sabe se vai gostar de acampar! Ela está apenas entrando nessa atividade e não há necessidade de investir em uma barraca que seja mais que “simples”.

Daí, a pessoa curtiu demais dormir ouvindo o som dos grilos e quer continuar acampando. Aos poucos, com a experiência, ela vai percebendo a necessidade de um equipamento melhor, com mais qualidade e recursos mais adequados ao seu tipo de camping. Assim, sua próxima compra será uma barraca com melhor tecnologia.

Depois de bastante tempo acampando, a pessoa fica expert no assunto, cheia de conhecimentos e começa a querer um equipamento mais técnico, mais especializado.

Esse é o ciclo que falamos: um caminho natural, que acontece desde o momento em que a pessoa começa a exercer uma atividade até o ponto em que ela se torna uma especialista. E é esse ciclo que faz com que haja espaço no mercado para barracas que vão de 50 a 800 reais!

Claro isso pode se aplicar para barracas, roupas e outros equipamentos que não dependam da segurança pessoal, quando o máximo de qualidade/tecnologia se torna indispensável.


Deixamos aqui essa nossa reflexão. Talvez você pense a respeito, discorde de nós, ou concorde conosco… Talvez, na próxima vez em que souber que um produto é chinês, você não rotule ele como de má qualidade antes de conhecer, de ver, de experimentar.

Se você quiser opinar, concordar, discordar, trazer mais informações, mais impressões, mais experiências que possam enriquecer essa reflexão, você é nosso convidado a opinar! Use os campos de comentário abaixo!


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Porto-alegrense, mochileira, campista e formada em turismo. Um dia ela resolveu unir todas suas paixões: natureza, viagens, campismo, biologia, geologia, turismo e se tornou co-fundadora deste site.
  • Miguel Buck

    Olá, meu nome é Miguel Buck. Falam muito sobre trabalho escravo e infantil lá na China. Sei que isso também acontece no Brasil. Gostaria de saber se a FuiAcampar sabem onde posso encontrar a informação sobre as condições de trabalho das respectivas fabricas das marcas brasileiras. Estou me empenhando em consumir menos e de forma coerente com a responsabilidade, que todos tem, de contribuir com a saúde e felicidade das pessoas, de outros seres e do meio ambiente. Um abraço a todos!

    • Olá Miguel,
      Essa questão é bem delicada!
      Hoje em dia são poucas empresas de equipamento que produzem no Brasil e das que temos conhecimento como a Kampa, Curtlo, Hard Adventure, Solo, todas parecem realizar um trabalho realmente sério e comprometido. Empresas que eventualmente usam trabalho escravo obviamente não divulgam isso, por isso não há onde encontrar essa informação. Para ter certeza mesmo, só visitando a fábrica (e mesmo assim você poderia não descobrir nada).

      Desculpe a demora em responder, é que estivemos em férias.
      Abraços,

      • Delano M Gonçalves

        Olá Miguel, olá Luiza.
        Hoje em dia, muitas empresas tercerizam a mão de obra, estabelecem um padrão de qualidade na fabricação do produto e depois colocam as suas marcas para negociar no mercado. A Nyke é um bom exemplo. A nyke não fabrica nenhum par de tênis, ela apenas cria os modelos, estabele o seu padrão de qualidade e repassam para as empresas fabricarem os seus produtos e depois colocam o nome da NYKE e fatura milhões de dolares. Vendem a marca NYKE, mas os produtos são de qualidade, não importa onde os mesmos são fabricados.
        Mas a questão da responsabilidade social também me preocupa bastante. Infelizmente, muitas empresas tem explorado a
        mão de obra chinesa para livrar dos impostos e obter lucros. E Isto não tem acontecido somente com os produtos de camping. Até mesmo empresas reconhecidas mundialmente exploram e
        lucram com a mão de obra chinesa. Recentemente assisti um vídeo no YouTube que me deixou chocado. Assistam e vejam o horror. Vídeo: Quem paga o preço? O custo humano dos eletrônicos.

  • Andre Luis

    Tem um contraponto também nessa história toda do ciclo do campista, muitas vezes ele sem experiencia alguma adquire um equipamento xing ling para economizar e o equipamento é tão ruim que a experiência dele com a atividade será pessima e irá faze-lo desistir, um barraca que entra agua, uma mochila pesada que machuca as costas, etc. O famoso barato sai caro.

    • Com certeza Andre…
      Mas daí não tem muito como evitar isso. A não ser que antes de comprar ele consiga buscar informações e conhecimentos para escolher um não tão ruim… daí entra nosso papel (do FuiAcampar) de tentar passar o máximo de informação possível…
      Mas milagre não tem quem faça!

  • Juliana Lopes

    Ótima explanação! Valeu!